Você é feliz?



José Maurício Ramos de Oliveira



Quando ouvimos uma pergunta destas, ocorre um fenômeno bastante interessante: fazemos uma rápida avaliação de partes de nossa vida. Saúde, amor, família, finanças, etc. Rapidamente surge a resposta. O interessante deste fenômeno é o método que cada um utiliza para responder. Alguns respondem baseados na satisfação, outros na insatisfação. Por exemplo: se há um problema financeiro ou amoroso, então não se pode estar feliz. Para outra pessoa, é possível se sentir feliz, mesmo que estejam ocorrendo dificuldades em algumas áreas da vida. A diferença está neste “método” particular de relacionar a felicidade a desejos não realizados, ou a desejos já conquistados, no presente.
Quando colocamos a felicidade ligada ao que não se tem, a satisfação fica comprometida, pois há sempre a falta dentro do ser humano. Então por que fazer isso? Cada um tem seus motivos. Para uns, queixar-se é um “modo de viver”, difícil de abandonar. Uma forma de “justificar” suas incapacidades. Ter tudo o que se quer, também é frustrante. Quando conquistamos um objetivo, logo nos deparamos com: “E agora?” O vazio (a falta) novamente se apresenta. Isso explica tantas celebridades ricas, porém infelizes, que sofrem por não saber o que lhes falta. Disto resulta um não saber o que desejam, causando angustia e sofrimento.
E o que dizer, daqueles que vivenciam tantas adversidades e se dizem felizes?
Os últimos estudos psicológicos sobre felicidade identificam que estes são do grupo que valorizam o que possuem, mesmo que seja pouco. Não são pessoas imunes à tristeza, mas dificilmente adoecem diante das dificuldades do dia-a-dia.
Felicidade não é a mesma coisa que euforia. Nem nunca ficar triste. Está mais ligada a um sentimento de bem-estar, do que de extrema alegria. De estar fazendo o que se acredita. Isso é muito importante, pois muita gente não sabe identificar o que é ser feliz.
A depressão, que atinge a 25% da população, é uma questão que não será solucionada apenas com medicamentos. Se conhecer melhor, seus processos depressivos e também de felicidade, é o que vai possibilitar ao indivíduo um viver mais pleno de significados e sentidos. Numa sociedade onde SER alguém é complicado, dar conta das demandas de amar, relacionar-se, estudar, trabalhar, criar filhos... é muito difícil. Logo, saber O QUE SE QUER é mais que necessário.
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