Obesidade: excesso e sofrimento


José Maurício Ramos de Oliveira


A obesidade possui múltiplas e complexas causas: genéticas, fisiológicas, sociais, culturais e psicológicas. O mais comum é encontrar a presença de vários destes fatores num indivíduo com peso acima do ideal.
Dados da Organização Mundial de Saúde mostram que no Brasil, estima-se que cerca de 32% da população adulta apresente algum grau de excesso de peso, sendo 25% casos mais graves e que 20% das crianças estejam acima do seu peso ideal, chegando à obesidade. Os organismos internacionais acreditam que estamos frente a uma epidemia de obesidade infantil, pois a incidência da doença duplicou nas últimas décadas.
Sabemos que a alimentação é também um processo cultural. Isto é, difere entre sociedades e épocas diferentes. A quantidade de alimentos hipercalóricos à disposição e com baixo custo é muito maior hoje. Nossos pais e avós não tomavam refrigerantes como nós. Mas não é só isso. Fazemos menos exercício: andamos menos e moramos em espaços menores. E finalmente, sofremos a pressão da “felicidade a qualquer custo” e do consumo.
O alimento (beber inclusive) está muito ligado aos afetos da vida. Além das necessidades do organismo (nutrição), ele também atende às necessidades do corpo (e sua subjetividade). Por isso está associado às comemorações, isto é, celebrar com alimentos e bebidas.
O ato de comer é sentido como tranqüilizador: uma maneira de localizar a ansiedade e a angústia no corpo, desviando-a do psiquismo. O problema começa quando ocorre um excesso constante. Come-se mais do que o organismo precisa. No consultório, ouvimos que este excesso eram as tristezas, raivas e dificuldades que estavam sendo “engolidas”. A saúde vai sendo comprometida e as questões emocionais só pioram. Depois de obeso, o sujeito vai lidar com as implicações da nova condição de imagem para si e para os outros. A angústia não vai embora, ela retorna repetidamente. Quanto mais come, maior a angústia... mais comida. O mecanismo falha e o indivíduo vai acumulando prejuízos físicos às dificuldades emocionais de que ele tanto tentava administrar.
Com o tempo, é comum ao sujeito obeso que se isole e evite o contato social. Podem ocorrer dificuldades no desempenho sexual, profissional ou escolar. Amar e ser amado gera ansiedade e depressão. Estes acontecimentos, quando não tratados (emocionalmente), provocam o aumento dos distúrbios alimentares e agravam mais ainda a situação. É importante compreender a dificuldade de quem passa por isso e procurar ajuda pra “digerir” isso tudo.
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