Separação dos pais (1): a decisão


José Maurício M. Ramos de Oliveira

A separação do casal é um dos momentos  mais difíceis na vida de uma família. Na vida nos preparamos para namorar e casar, mas nunca para nos separar! Quando nos encontramos nesta situação, surgem diversas dúvidas e conflitos que num momento de instabilidade emocional podem comprometer uma vida futura feliz.
Este tema é muito amplo e portanto será dado uma atenção maior aos aspectos que envolvem os filhos e apresentado neste jornal por partes.
Quando o casal chega ao ponto da separação, é porque um ou ambos não enxergam no momento, qualquer possibilidade de sintonia e provavelmente os filhos já notaram que a relação de seus pais não anda boa há tempos...
Neste momento os pais se perguntam em como dar a notícia e como fazê-la? Depois de tantas discussões entre si e com outros adultos, falar com os filhos parece ser um dos momentos mais penosos. De fato são momentos difíceis pois mesmo os pais não sabem ao certo como ficará a vida de todos a partir daí. Por ser assim é que se indica que ambos estejam presentes na comunicação aos filhos, respondendo suas perguntas. Afinal estavam juntos quando conceberam os mesmos. A falta de detalhes importantes para os filhos, faz com que fantasiem como será o futuro e sua natural imaturidade fará com que fiquem angustiados. Deve ser explicado claramente com quem irão morar, onde estará o outro caso queiram falar com ele(ela), como serão as visitas, etc. O esclarecimento ameniza o choque.
Alguns filhos tendem a se responsabilizar pelo fracasso do casamento dos pais. Sentem-se  culpados e deprimidos. Cabe aos pais tranquilizá-los a este respeito e explicar a eles que esta saída foi escolhida pois se estivessem juntos estariam infelizes e brigando. O que mudou na família é a relação de casal que acabou, mas deve ficar claro que a relação pai-filhos e mãe-filhos, continua existindo e intacta.
Não se deve “mascarar” a situação. A criança é lógica e se confunde quando é enganada. É difícil explicar uma separação amigável: “Se são amigos por quê separar?”-dizem. Ou ainda “Quando crescer não vou me casar pois quem casa só briga, é infeliz e deixa os filhos tristes.”
Devemos humanizar a separação em termos de sentimentos individuais que neste momento estão em conflito, mas que já estiveram em harmonia antes. A final os filhos foram concebidos com amor ou não? Amor existe e isto deve ser lembrado aos filhos na hora da conversa. Falar ajuda a criança ou adolescente identificar e trabalhar seus sentimentos, além de auxiliar os pais em como ajudá-los.
Apesar do clima por vezes hostil entre o casal, pai e mãe devem evitar justificativas que coloquem a responsabilidade um-no-outro para tanto sofrimento. Criticar o outro é como criticar parte do próprio filho. Os filhos não são juizes e avaliar as pessoas que mais ama é insuportável pra qualquer um. O tempo e a maturidade farão com que os mesmos reflitam sobre o que aconteceu e  terão oportunidade de conhecer os pais pelos próprios olhos.
Porém por mais atenção que se possa despender aos filhos neste momento, sempre se verificam sentimentos recalcados e não trabalhados.  Dependendo da intensidade dos mesmos, uma ajuda  profissional de um psicólogo para o filho ou para orientar os pais será bem-vinda.
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