Separação dos pais (2): uma nova rotina


José Maurício M. Ramos de Oliveira



Continuando com o assunto da separação dos pais, gostaria de abordar no artigo de hoje, aspectos relacionados com a rotina pós-separação. Tomarei como exemplo os casos onde os filhos ficam com a mãe pois são a maioria. Contudo estes mesmos exemplos pedem ser aplicados de maneira inversa.
Após a fase das discussões e  da resolução em separar, a cabeça de pai, mãe e filhos está cheia de dúvidas. Como é que vai ser?
É muito importante que não se vire a vida dos filhos de “pernas-pro-ar”. Se possível, devem continuar morando e estudando nos mesmos lugares de antes da separação. Perceber que parte da rotina continua a mesma é bom e traz conforto. Apesar de não ser ideal, algumas vezes as mães voltam a morar com seus pais e levam os filhos consigo, como medida de praticidade e economia. O motivo de tal mudança deve ser esclarecido para os filhos e providenciado um local destinado aos seus objetos pessoais no novo lar. Uma queda no conforto pode ser difícil de entender e ser considerada como um grande fracasso de todos, gerando raiva e culpa.
Assim que os dias e horários de visita sejam definidos, eles devem ser comunicados aos filhos para que eles possam ir se acostumando com a nova programação da semana. O novo endereço do pai e o telefone de contato deve ser conhecido. Nas primeiras semanas, conversar por telefone ajuda a minimizar a nova distância.
O pai deve se fazer presente. Notamos que em muitos casos a separação pode aproximá-lo mais dos filhos. Com horários determinados e exclusivos, o próprio pai se organiza para estar disponível naquele momento. Muitos deles quando moravam juntos, estavam sempre “cansados e sem tempo!”.  Alguns pais “desaparecem” e mantém pouco ou até nenhum contato com os filhos. Criam uma lacuna nestes últimos que nunca será completamente preenchida. Felizmente  pai não é o único modelo masculino disponível. Um tio, avô, professor ou companheiro da mãe pode ser exemplo de homem responsável e atencioso.
Quando não cumpre com os compromissos legais assumidos na justiça com a mãe e os filhos (pensão alimentícia e separação de bens) e nas visitas gasta dinheiro com passeios e presentes extravagantes, o pai dá um exemplo de irresponsabilidade. Assim ele se relaciona de maneira infantil com os filhos, fazendo com que estes não valorizem suas próprias obrigações presentes(escola) e futuras(família), causando muitos problemas. Os pais devem ter em mente que após a separação, seus filhos não precisam de mais um amiguinho, eles precisam de um pai!
As visitas e seus horários devem ser respeitados. É terrível para o filho esperar pelo pai que não vem. Avisar quando não poderá vir é uma medida simples e necessária.  A mãe deve colaborar e não competir com os horários de visita do pai. Ataques e acusações entre pai e mãe devem ser evitados sempre. Os filhos deveriam conhecer seus pais pelos próprios meios e não através de comentários alheios.
Com o passar do tempo percebe-se que por mais que se programe, sempre surgirão eventos onde uma exceção ao combinado deverá ser levada em conta. O ideal seria que as três partes(pai, mãe e filhos) chegassem a um acordo sobre eles. Contudo, sempre se deve ter o cuidado de respeitar uma constância no dia-a-dia dos filhos. De preferência, as visitas devem ocorrem em ambientes onde haverá descontração e certa privacidade para a troca de experiências e sentimentos. Dormir na casa do pai é uma boa forma de conhecê-lo melhor.
Alguns filhos, sejam crianças ou adolescentes apresentam dificuldades em aceitar e se adaptar a essa nova rotina. Seu desempenho escolar pode cair e até depressão, irritação, stress e dores pelo corpo podem ocorrer. Nestes casos, deve-se procurar a ajuda de um psicólogo para auxiliar seu desenvolvimento na nova realidade.
Faltaria descrever ainda as implicações que novos parceiros(as) na vida dos pais, acarretam nas relações com os filhos. Como este é um tópico abrangente, será deixado com exclusividade para o próximo artigo.
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