Separação dos pais (4): a escola


José Maurício M. Ramos de Oliveira



Neste último artigo da série sobre separação dos pais, tratarei da importância da escola neste momento para as crianças.
Como já vimos nos artigos anteriores, é comum após a separação, os filhos ficarem inseguros em relação ao seu futuro. Tudo pode mudar. Alguns mudam de casa e até de escola, aumentando as incertezas. Esta insegurança pode provocar alterações no rendimento e comportamento escolar. Distúrbios alimentares, medos, isolamento e agressividade também  podem acontecer.
A escola é parceira dos pais na educação dos filhos. Por isso deve ser avisada sobre a separação e alertada sobre qualquer alteração no desenvolvimento do aluno.  Uma reunião com a participação dos pais, professor(a), pedagogo(a) ou psicólogo(a) não deve ser descartada.
Os professores e educadores devem ser tolerantes com a criança pois para ela e para os coleguinhas algo terrível aconteceu: pessoas que se amavam não se amam mais. Tal fato provoca diversas fantasias e expectativas, nas crianças e até nos adultos. Se a situação desencadear um interesse geral na classe, uma conversa sobre separação de casais pode ser interessante, desde que se respeite as necessidades de cada idade. A amizade dos colegas e a continuidade da rotina escolar é fundamental para a criança superar este momento. A criança deve evitar faltar na escola, bem como mudar de escola logo após a separação.
A proposta pedagógica da escola deve contemplar alternativas especificas para lidar com estes alunos, pois infelizmente existem em numero significativo em nossos dias. As comunicações, devem ser encaminhadas para pai e mãe. Lembremos que a comunicação entre eles não é mais diária, nem sempre amistosa e as vezes nem existe.
Culturalmente as mães mantém um vínculo mais próximo com a escola. Freqüentam as reuniões e são procuradas para receber os recados. O pai consequentemente  mantém um certo distanciamento que pode se agravar após a separação. A escola precisa trazer mais os pais para o seu convívio e de seus alunos. O ambiente (adulto) escolar é predominantemente  feminino e o ideal seria ter um equilíbrio maior.
O  “Dia dos Pais” é em geral angustiante para as crianças cujo pai não apresenta regularidade de visitas. Normalmente elas ficam na expectativa se ele virá na festinha em sua  homenagem na escola. Ficam angustiadas, pois não sabem se vão poder comemorar a lado do pai... A escola deve dar atenção especial a estes casos e se julgar necessário (no caso de pai ausente) sugerir que a criança escolha outro adulto (homem) importante afetivamente em sua vida para homenagear; um tio, o avô, o companheiro da mãe ou até mesmo outro professor, que permanecerá com ela durante a programação. Mesmo sem o pai, a criança deve aprender a construir relações “paternas” até como forma de preparação para a sua vez de ser pai ou de procurar um pai para seus filhos. Apesar de importante, a programação não deve se restringir a entrega de lembranças e apresentações de coral e teatro. Atividades como esportes, bem como brincadeiras a  ”moda antiga”; soltar pipa, rodar pião, jogar bolinha-de-gude, pular corda, pular amarelinha etc, propiciam aos pais o resgate de seu lado criança e melhora a integração com sues filhos .
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